OS MÉTODOS ANTICONCEPCIONAIS



As pílulas avançam com os anos e oferecem doses de hormônios menores para as mulheres. Para algumas, as pílulas continuam a ser parceiras para melhorar a saúde. Outras mulheres decidem parar e buscar novas formas de lidar com o corpo.

Ao entender que os métodos de contracepção são variados e é direito da mulher escolher aquele que melhor se adequa à sua vida e saúde, os caminhos de compreensão sobre o corpo se alargam. Com as pesquisas acontecendo de forma contínua, riscos e benefícios vão sendo elencados. No entanto, a experiência de cada mulher é fator imprescindível para a convivência com o método escolhido. E, munidas de informações, mulheres decidem parar de tomar (ou nem começar) os contraceptivos hormonais ou continuam a viver com a pílula por sentirem que as melhoras no cotidiano são preciosas. Para quem decide parar de usar anticoncepcionais hormonais, um processo de descoberta de que existem muitas outras opções para além das pílulas é iniciado. E, para muitas, essa busca representa uma conexão maior com o próprio corpo e saúde ao evitar os hormônios artificiais. Para tratar a Síndrome do Ovário Policístico, a artesã Bianca Albano, 26, começou a tomar pílula aos 12 e seguiu até os 25 anos. A síndrome – que é a existência de pequenos cistos nos ovários – pode acarretar sintomas como alterações na menstruação, acne, aumento dos pelos no rosto, etc. e, normalmente, é tratada com o uso de pílulas anticoncepcionais. Bianca comenta que usava sem muita preocupação até que, há um ano, teve um “estalo” sobre o assunto, percebendo que o hormônio artificial poderia impactar na saúde de forma negativa. “É muito natural na nossa sociedade naturalizar esses processos químicos”, opinou Bianca. Com a decisão de não mais usar os contraceptivos hormonais, a artesã busca novas formas de tratar a Síndrome e vive um processo de mais conhecimento dos ciclos do próprio corpo. Bianca afirma que passou a pesquisar muito mais sobre a saúde e entender melhor a feminilidade sem a “chuva de hormônios no corpo e na mente”. A estudante universitária Jéssica Cavalcante, 26, tomou pílula durante nove anos para tratar as dores causadas pela endometriose. Mesmo com as pílulas e cartelas emendadas, ela comenta que as dores voltavam em alguns momentos sem descobrirem o motivo. Em busca de outras opções para a própria saúde, ela passou a estudar medicina indiana, mudando hábitos alimentares e percebeu melhoras no corpo.

PARA TRATAR ENDOMETRIOSE

A endometriose e a Síndrome do Ovário Policístico são duas situações em que a prescrição de anticoncepcionais hormonais é comum para tratamento. As paredes internas do útero são revestidas por uma mucosa chamada endométrio. A endometriose é a inflamação causada por células do endométrio que deveriam ter sido expelidas, mas vão para os ovários ou para a cavidade abdominal. Ao chegar a esses lugares, as células voltam a crescer e sangrar.

Os sintomas da endometriose costumam ser dor nas relações sexuais, cólicas menstruais, dor e sangramento urinário e intestinal durante a menstruação. A infertilidade também é possível. Apesar de o uso do anticoncepcional ser muito usado no tratamento da endometriose, outros medicamentos são possíveis para o tratamento. Em alguns casos, a cirurgia é necessária.

A Síndrome do Ovário Policístico acontece quando cistos se formam no ovário. Em muitos casos, não alteram em nada a saúde da mulher. No entanto, para muitas mulheres, a Síndrome vem com sintomas como alterações no ciclo menstrual, acne, aparecimento de pelos no corpo, obesidade e até infertilidade. Outros medicamentos podem ser usados para controlar os sintomas, assim como atividades físicas e, no caso das mulheres obesas, a perda de peso. No entanto, a médica Marta Finotti, da Febrasgo, indica que nenhum deles consegue ser tão eficaz quanto os contraceptivos hormonais.

PÍLULA DO DIA SEGUINTE NÃO DEVE SER MÉTODO COMUM

A contracepção de emergência – a conhecida pílula do dia seguinte – é uma opção para as mulheres que, por algum motivo, tiveram relações sexuais sem a devida proteção – desde casos de violência sexual e falha no uso de contraceptivos. Nestas situações, a pílula do dia seguinte pode ser utilizada pelas mulheres em até 72 horas após a relação sexual. A professora do Departamento de Enfermagem da UFC e coordenadora do Grupo de estudo em enfermagem em saúde sexual e reprodutiva (Gesare), Escolástica Moura, ressalta, no entanto, que o método precisa ser utilizado de forma adequada. “Não se pode fazer dele um método comum de forma alguma”, indica. A professora explica que a dosagem hormonal contida na pílula do dia seguinte é muito elevada e, por isso, seu uso frequente deve ser evitado. O assunto abre espaço também para a necessidade do uso do preservativo, independente do método contraceptivo hormonal ou não escolhido pela mulher. O preservativo é o único que evita DSTs, como o HIV. Para Escolástica, a ideia do uso do preservativo precisa estar na rotina dos serviços de saúde. Casos de mulheres casadas e monogâmicas que se descobrem com DSTs apontam para a necessidade da proteção em todas as situações.

USO DA PÍLULA DE FORMA ININTERRUPTA GERA DÚVIDAS

Não dar a pausa indicada nas cartelas de contraceptivos e emendar os comprimidos ativos de forma a não menstruar vem sendo mais comum na vida daquelas mulheres que querem se ver livres da menstruação. No entanto, dúvidas como os malefícios para a saúde, a necessidade de menstruar para “limpar” o corpo, entre outras pairam sobre muitas mulheres. Médicos apontam que não existe problema em usar os contraceptivos orais hormonais de forma ininterrupta. Para o médico ginecologista José Bento, que atua em hospitais como o Albert Einstein, em São Paulo, e compartilha informações sobre a saúde das mulheres em programas de TV há muitos anos, o melhor é não menstruar. “É melhor tomar continuamente. É melhor para o organismo”, opina. José Bento explica que o sangramento da pausa das pílulas acontece por privação hormonal e se constitui como um “sangramento artificial”. Segundo ele, sem a menstruação as mulheres evitam a perda sanguínea – que pode provocar anemia em algumas, menos TPM, dor de cabeça, entre outros sintomas, além do conforto em não menstruar. A funcionária pública Anna Karinne Chaves passou a emendar cartelas há quatro anos por indicação da ginecologista e, para ela, a decisão melhorou a rotina. A presidente da Comissão de Anticoncepção da Febrasgo, Marta Finotti, explica que, do ponto de vista metabólico, não existe problema em emendar cartelas. Na opinião da médica,o uso sem pausa é uma tendência mundial. No entanto, para muitas mulheres, após alguns meses de uso contínuo, sangramentos de escape – chamados de spotting – surgem e, nestes casos, pode ser útil fazer uma pausa. Neste intervalo, o endométrio da mulher descama e um novo é formado, inibindo assim os sangramentos não esperados. Para a professora do departamento de Enfermagem da Universidade Federal do Ceará (UFC), Escolástica Moura, o uso contínuo tem prescrição importante para quem tem TPM e anemia, mas pode não ser a melhor opção para todas as mulheres. Ela pondera que, culturalmente, muitas mulheres desejam ver a menstruação todo mês, como se fosse um sinal de saúde e isso também deve ser levado em conta.

SAIBA MAIS

Risco e acompanhamento apesar das indicações de riscos resultantes do uso de contraceptivos hormonais, a Anvisa afirma que monitora a segurança dos contraceptivos orais combinados continuamente.

A Agência também solicita aos profissionais de saúde que notifiquem reações adversas graves por meio do Sistema de Notificações em Vigilância Sanitária (Notivisa). Já as pacientes podem utilizar a Central de Atendimento da Agência e a Ouvidoria (ver Serviço).

Anticoncepcionais orais e fumo O hábito de fumar – que possui diversas indicações dos males que causa à saúde – também é um fator de alerta para o uso de contraceptivos.

O risco aumenta com a idade da paciente, sendo potencializado em mulheres com mais de 35 anos. Informar ao médico que fuma é essencial para a escolha de uma abordagem que não seja mais arriscada.

A professora da pós-graduação de Enfermagem da UFC, Escolástica Moura, afirma que a união da idade (mais de 35 anos) e do fumo exige mais atenção, pois a saúde cardiovascular da mulher pode ficar comprometida.

Para as mulheres com menos de 35, o contraceptivo pode ser indicado, mas precisa de acompanhamento – além do trabalho para a suspensão do hábito de fumar.


Fonte: http://www20.opovo.com.br/app/opovo/cienciaesaude/2015/03/07/noticiasjornalcienciaesaude,3402801/os-metodos-anticoncepcionais-e-a-decisao-sobre-o-proprio-corpo.shtml

 


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